NDSM : conhecendo o norte de Amsterdam
NDSM : conhecendo o norte de Amsterdam

Há quem diga que o que separa o viajante do turista é estar aberto para novas descobertas. Para mim, o melhor tipo de viagem é aquele em que você vai sem planos e horários definidos. Sem a obrigação de acordar cedo ou o medo de não conseguir visitar todos os lugares que você tinha planejado.

Eu já havia visitado Amsterdam antes e feito todo o básico: Anne Frank Huis, Vondelpark, museu do Van Gogh, Red Light District. Dessa vez tive 7 dias para conhecer a cidade com calma e tentar entender melhor seu lado menos turístico, que chega a passar despercebido pra quem não sai do centro.

O NDSM com certeza foi a melhor descoberta.

Fomos para lá no inverno, em um dia frio e com aquele vento de matar que Amsterdam adora. Acabamos conhecendo só três lugares: Pllek, Pontstation e Noorderlicht Café. Mas já foi o suficiente para sair de lá fazendo planos para voltar no verão, alugar uma bike e conhecer melhor toda a região.

O NDSM é só uma pequena parte do norte de Amsterdam (Amsterdam-Noord), que fica separada do resto da cidade pelo rio IJ. Nos anos 80 o local foi berço de um dos maiores e mais modernos estaleiros da Europa. Mas logo no final da década, com a expansão de outros portos e estaleiros pela Europa, a área começou a entrar em decadência. Até meados de 2000 ainda era uma região vazia e evitada até pelos próprios moradores de Amsterdam. Foi só a partir de 2005 que algumas produtoras, artistas e pequenos comércios voltaram a enxergar potencial na área, cheia de galpões, construções antigas e uma bela vista do sul da cidade.

Aos poucos novos empreendimentos foram chegando e em 2014 a prefeitura resolveu se reunir com moradores, trabalhadores e empresários da região para definir uma série de metas a serem cumpridas em prol da revitalização da área, até 2014.

Hoje, só essa pequena parte do norte de Amsterdam já tem dois dos hotéis mais descolados da cidade : o Amstel Botel, construído dentro de um barco em 1993 e o recém inaugurado Brooklyn Hotel, que tem uma das vistas mais interessantes da cidade e, por incrível que pareça, uma diária mais barata que muitos hóteis meia boca do centro cobram.

Os galpões recebem vários eventos, que vão desde feiras de antiguidade até aulas de yoga, vale a pena ficar de olho na agenda do site pra ver o que vai rolar na semana em que você estiver por lá.

NOORDERLICHT CAFÉ

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Foto: Débora Machado

Pra quem ainda não conhece a Holanda eu explico uma lição básica: onde você lê Café, na verdade é bar. Sim, devem servir café também, mas pode entrar sem medo que vai ter cerveja (ufa!).

O Noorderlicht Café me lembrou os bares da beira do Spree em Berlim. Mesinhas de madeira e espreguiçadeiras do lado de fora e quentinho do lado de dentro, móveis antigos e algumas obras de arte non sense. Vende até Club Mate! Diz que no verão está sempre lotado e rolam vários Open Air na área externa. Eles servem almoço e jantar e vendem várias cervejas importadas também.

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Nina morrendo de frio, porém feliz que a cerveja não ia esquentar. Foto: Débora Machado

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Itens básicos para uma viagem de sucesso: câmera, cerveja e google maps, se você for tão perdida quanto eu. Foto: Marina Veloso

PLLEK

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Foto: Débora Machado

A viagem foi curta, mas arrisco dizer que o Pllek é meu lugar preferido em Amsterdam. O restaurante/bar foi construído dentro de um container gigantesco, com uma fachada inteira de vidro pra gente não precisar nem sair no frio se quiser ver o pôr do sol. O ambiente é bem amplo e funciona bem tanto pra quem quer sair pra beber com os amigos, como pra quem quer pedir um chá e ler um livro no sofá.

Para os mais organizados (não é o meu caso), é bom ficar de olho na agenda do local. Na semana que estivemos lá ia rolar uma cine-degustação (?) com o filme Estômago, com direito ao filme exibido na integra e uma degustação todos os pratos e bebidas que aparecessem nas cenas!

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Foto: Débora Machado
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Foto: Débora Machado
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Foto: Débora Machado

PONT STATION

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Foto: Débora Machado

O Pont Station é provavelmente a primeira coisa você irá notar assim que descer do ferry. A localização é perfeita pra quem está esperando a balsa para voltar à estação central. Fritura e alimentos orgânicos pode não parecer a melhor combinação, mas é a especialidade deles. Há quem diga que eles fazem o melhor hambúrguer de peixe da cidade. Para a minha sorte, há varias opções vegetarianas (que lá eles chamam de “vega”) também.

COMO CHEGAR?

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Foto: Débora Machado

O jeito mais fácil de chegar no NDSM é pegando o ferry que atravessa o rio IJ. Ele sai de 15 em 15 minutos ou meia em meia hora, dependendo do dia, da estação Amsterdam Centraal. É de graça e você pode entrar com a bicicleta, se quiser. Para saber os horários exatos a minha dica é baixar o app 9292.nl (sim, tem versão em inglês). Lá os horários são mais precisos que no google maps.

Já pode voltar?

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